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Apesar de já estar envolvido com a fotografia há muito tempo, foi em 2015 que iniciei minha jornada como fotógrafo, com uma tomada de decisão de voltar todos os meus esforços e planos pessoais de forma a colocar a fotografia no horizonte a ser perseguido durante minha vida. Essa decisão se formalizou no início do meu curso de doutorado, quando inseri em meu projeto uma metodologia que tornava obrigatória a produção prática em minha pesquisa. Com isso, tive que me mobilizar para produzir imagens que vão desde registros documentais, arquitetura, paisagens, lugares, e até retratos realizados pelas ruas com desconhecidos.

​Essa decisão também é resultado do espaço profissional que atuo, tendo me formado em Comunicação Social, mas ocupando a cadeira de professor em um curso superior de Desenho Industrial, percebi os ganhos que a junção da prática com a teoria pode trazer ao processo de aprendizado e pesquisa. A necessidade do designer de fazer, de construir, de prototipar, como atividade correlata à pesquisa teórica ou bibliográfica, me motivou a procurar esse caminho na pesquisa de doutoramento.

​Em 2015 eu não sabia que tipo de fotografia deveria me dedicar, e essa certeza ainda não se firmou, mas passados alguns anos, escavando nos meus hd’s, consigo selecionar uma amostra do que decantou nesse tempo, e dessa amostra começo a encontrar um caminho a partir dos entendimentos, dúvidas e convicções que estão em torno dessas imagens.

​A partir das minhas pesquisas teóricas, adotei como filosofia de criação, a valorização de dois aspectos fundamentais da fotografia: o primeiro, é a sua materialidade. Daí meu interesse em explorar os processos históricos de impressão química, que conferem a fotografia uma condição de originalidade, exclusividade e raridade.

​O segundo aspecto é sobre reconhecer e promover a essência da fotografia como produção ficcional e capacidade de carregar imaginários. Isso me permite explorar a emocionalidade humana, contar histórias e transformar elementos do mundo visível em objetos estéticos. Pela estética e pelas narrativas que as fotografias fazem emanar em nós, me alinho com a missão do artista de ajudar a promover a esperança, o mistério, a empatia, a justiça e a beleza do mundo.

​Construir versões ficcionais da realidade, objetiva tornar o mundo cognoscível em outros níveis além do que é percebido de maneira racional. Essas ficções, às vezes, se parecem muito com narrativas documentais, no entanto não tenho como objetivo produzir relatos jornalísticos ou factuais. As histórias que eventualmente consigo contar, são parciais e totalmente moldadas pela minha visão do mundo (e quais histórias não são assim?).

​Também me dedico a explorar o espectro emocional humano a partir do que as imagens evocam. Busco isso a partir da dramaticidade do preto e branco, do isolamento que as longas exposições conferem aos locais, e com a manipulação da luz e das formas.

Meus trabalhos autorais possuem duas linhas temáticas, em uma persigo uma leitura estético-criativa do mundo, das emoções e das subjetividades humanas. Em geral, essas imagens são produzidas com maiores intervenções, produzindo cenas que são estranhas à forma como vemos naturalmente o mundo. Em outra, estão as imagens mais próximas de uma linguagem documental, onde apresento minhas fotografias de caráter crítico-narrativo, resultado e expressão da minha visão política sobre a realidade.

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Antes de ser fotógrafo, sou educador. Professor universitário, formado em Comunicação Social, pós-graduado em Docência no Ensino Superior, mestre em Ciências da Linguagem e doutor em Ciências da Comunicação.

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