OBTURADOR

Nas primeiras décadas após a invenção da fotografia, o fotógrafo simplesmente cobria a parte frontal da objetiva com uma tampa, retirava essa tampa por um certo tempo expondo a placa, e depois recolocava a tampa. O obturador é um dispositivo que se tornou necessário no momento em que a química fotográfica se acelerou e passou a permitir exposições na casa de frações de segundo.

Nas câmeras modernas, esse dispositivo funciona como uma cortina que abre e fecha. Então a luz irá entrar nesse período de tempo em que a cortina está aberta, que pode ser uma fracção de segundos, minutos ou horas.

O obturador fica no corpo da câmera, em frente ao filme ou sensor. E, tão óbvio quanto no caso do diafragma, se a cortina ficar aberta mais tempo, evidentemente irá entrar mais luz, se ficar aberta menos tempos, teremos menos luz. Conforme a velocidade definida para a fotografia, pelo menos uma implicação estética pode ser atribuída. Se a foto for lenta (velocidade baixa), há uma tendência dos elementos que estiverem em movimento borrarem. O borrado será tanto maior ou menor quanto a velocidade relativa do movimento e do obturador.

Então, recorrendo a explicação da torneira, podemos imaginar que se ela ficar aberta por 1 minuto e depois, mantendo-se a mesma vazão, por apenas 10 segundos, no primeiro caso teremos muito mais água no balde do que no segundo. Na câmera também é assim. Se o obturador ficar aberto mais tempo, o suporte irá capturar mais luz.

A ESCALA DO OBTURADO

Ilustração da escala do obturador

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A escala do obturador é dada em segundo e frações de segundos. Então, como podemos observar na escala, pode-se capturar a luz para uma fotografia desde um tempo longo como 30 segundos até quatro milésimos de segundos.

A indicação de 1/ é a indicação de uma fração, quanto temos por exemplo, a fração 1/30, estamos dizendo que o tempo que o obturador permanecerá aberto, o tempo que a luz irá entrar na câmera de forma continua, será o de 30 avos de segundo. Ou seja, se dividirmos um segundo em trinta partes, o tempo será o de apenas uma dessas partes. Agora, imagine dividir um segundo em mil partes, o quão rápido será essa captura?

Essas diferenças de velocidade, além de produzir diferenças nas quantidades de luz, produzem imagens que podem paralisar o movimento ou capturar o movimento.

Quando dizemos “paralisar o movimento” significa que uma imagem que estava em alta velocidade foi capturada como se estivesse parada. E capturar o movimento, significa que a fotografia foi lenta suficiente para que ao invés de fotografar o objeto, teremos registrado o movimento do objeto, sendo capturado como um borrão ou um rastro.

Mas é preciso lembrar que o movimento é relativo, então se a câmera acompanhar o objeto que está se movendo, do ponto de vista da câmera, o objeto estará parado e o fundo é que estará em movimento. Isso acontece quando se fotografa um carro em uma pista de corrida. Ao acompanhar o carro com a câmera, o fundo é que passa pelo filme ou sensor, enquanto o carro está relativamente parado. Esse é o chamado efeito panning.

Então as configurações de velocidade, também são um recurso estético e narrativo, tanto quanto um controlador de quantidade de luz.

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Retornando à nossa analogia com a água que escorre de uma torneira: se eu abrir mais a torneira (aumentar a vazão) e deixar menos tempo, não seria a mesma coisa que diminuir a vazão e deixar mais tempo? A lei da reciprocidade tem essa resposta para nós.

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